Olá nobres e ilustres doutores do maravilhoso mundo das leis, a semana está quente, muitos acontecimentos políticos rolando, mas esta é uma página jurídica, e por ordem do Deus Supremo do NED, nós não podemos nos manifestar acerca de política ou expor opiniões defendendo "L" ou "A"
Assim, me limitarei a falar da parte jurídica da coisa, na verdade, não da coisa, mas das pessoas!
Domingo pela manhã, acordei, liguei a minha TV de 122 polegadas, chamei a Maria, a minha empregada negra e pedi que ela me servisse o café na piscina. Depois de me inteirar dos assuntos, fui até o meu closet, verti minha camisa da seleção brasileira e fui para as ruas protestar. Obviamente que levei Maria comigo, afinal, quem é que poderia carregar um guarda sol, minha sacola térmica com minha pera cortadinha, água de coco e algumas toalhas para me enxugar.
Já comecei um pouco aborrecido, pois Maria demorou demais para descer pelas escadas de serviço e fiquei pelo menos 15 minutos esperando no hall do meu prédio! Ao chegar nas manifestações percebi que o povo brasileiro merece ser estudado!
Estávamos todos indo para uma manifestação contra a corrupção e no caminho vi algumas pessoas buzinando em frente aos hospitais:
"Art. 227. Usar buzina:
II - prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto;
V - em desacordo com os padrões e freqüências estabelecidas pelo CONTRAN:
Infração - leve;
Penalidade - multa."
Observei ainda que muita gente colocava o corpo quase todo para fora dos carros e gritava palavras de ordem, e é claro que se o corpo estava para fora do carro, elas não usavam cinto de segurança:
"Art. 167. Deixar o condutor ou passageiro de usar o cinto de segurança, conforme previsto no art. 65:
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo até colocação do cinto pelo infrator."
Depois disso, vi muitos adolescentes que sequer sabem soletrar a palavra Constituição, com bebidas alcoólicas nas mãos:
“Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica:
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave.”
E mais ao fim das manifestações, poucos imbecis decidiram que seria legal quebrar a porta de um banco estatal:
"Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa."
Foi então que percebi que estava no lugar errado, eu não era um deles, eu sou melhor que eles, pois eu sou honesto de verdade, eu sou probo, integro e não possuo nenhuma conduta desabonadora, sou o que todo advogado deveria ser: íntegro!
Mas os manifestantes não eram, em maior ou menor grau, eles já haviam cometidos crimes, delitos, infrações, já eu...
O meu único crime é ser apaixonado pelo direito e o meu maior vício é ser honesto.
Assim,, deixei o protesto, mas acabei esquecendo da Maria!
Só tem vida difícil quem não se esforça.
O Doutor Coxinha é um personagem fictício criado por um blog de humor, logo, suas opiniões não devem ser levadas (tão) à sério.