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quinta-feira, março 24, 2016

Doutor Coxinha - A ilustre casa dos advogados

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Olá nobres e ilustres doutores do maravilhoso mundo das leis, cá estamos nós nesta afável e maravilhosa vida de labuta!

Depois de muito falar dos estagiários aqui do meu magnífico escritório, eu prefiro chamar de casa da advocacia, pois aqui nós respiramos o Direito e nos alimentamos de leis, hoje falaremos de como é a vida dos advogados.

Aqui no escritórios nós temos uma política de valorizar o profissional, e a maioria dos quatrocentos e dezenove advogados que tenho já foram meus estagiários, assim eles já sabem que o sistema aqui é rigoroso, mas dá certo.

Todas as manhãs eu reúno toda a equipe em um belo café a manhã, verifico pessoalmente a vestimenta de todos os advogados, aqueles que estiverem com a camisa amassada vão embora e perdem o direito à sala com ar condicionado, a mesma coisa acontece com quem está com o nó da gravata mal feito.



Andar com a gravata torta é inadmissível, haja vista que todos os meses, eu reservo uma sexta feira no fim do expediente para dar um curso sobre nós de gravata, passamos pelos tradicionais nós italianos e até mesmo pelos ousados nós ingleses, assim, chegar com a gravata torta é uma falta gravíssima.

Analiso ainda a qualidade das vestimentas, ternos cujo valor seja inferior a dois mil reais não são permitidos, exceto para estagiários, pois eles são pobres, trabalhar com  camisas oriundas do comércio chinês é ato passível de demissão por justa causa.

Após tudo isso, faço uma reunião apenas sobre amenidades, mostro foto dos meus carros, da minha esposa com corpo escultural, da minha pequena choupana em Miami Beach só para incentivar os advogados a serem bem sucedidos como eu, pois eu não sou idiota, eles trabalham para mim, se eles tiverem sucesso, eu também tenho.

E assim o dia começa na minha ilustre casa, não sem antes dar aquela ameaçada nos meus funcionários, pois o Direito não permite brincadeiras, na advocacia não tem espaço para sorrisos no meio do dia, se alguém quiser trabalhar se divertindo que mande seu currículo para o google.

Gosto de chegar no escritório e ouvir apenas o barulho dos teclados frenéticos, das respirações pesadas e preocupadas, e contribuo muito para isso, pois todos os meses eu escolho algum advogado para ser demitido na frente de todos os outros, somente para mostrar o lugar deles, só para deixar claro que sou eu o cara que manda e desmanda em tudo, faço isso para colocar medo neles e mostrar que as falhas não são perdoadas, e se no decorrer do mês ninguém falhar, eu mando embora o advogado mais feio, afinal, no Direito a aparência também importa.

E é assim que a vida anda aqui, pois é o que eu sempre digo: Só tem vida difícil quem não se esforça.


quinta-feira, março 10, 2016

DOUTOR COXINHA - COMO FUNCIONA O PROCESSO SELETIVO PARA UM ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA

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Olá nobres e ilustres doutores do maravilhoso mundo das leis, percebi pelas minhas últimas colunas escritas que todos se interessaram em meus métodos de trabalho, inclusive, passei a receber um elevado número de currículos de estagiários, advogados, e até mesmo juízes que desejam trabalhar para mim.

Pois bem, deste modo, resolvi falar hoje dos métodos de seleção aqui do meu escritório, e acredito que com isso, aqueles que não conseguirem entrar para a minha banca de advogados, pelo menos terão valiosas dicas para as próximas entrevistas.

A primeira regra do meu escritório é avaliar o currículo do candidato, e verificar a faculdade onde o postulante à uma vaga cursa ou cursou direito, nós não aceitamos profissionais oriundos de faculdades de qualidade duvidosa, aqui só tem advogado formado em faculdades de primeira linha, logo, se você estudou em uma universidade que o valor da mensalidade está abaixo de R$1.600,00 nem precisa perder tempo, pois seu currículo será usado como forro da gaiola do meu rouxinol.

Além da faculdade, observamos ainda os estudos básicos, se o candidato veio de escola pública no ensino médio, também é descartado, porque se tem coisa que eu mais odeio é ouvir discurso de gente que diz que nasceu pobre e cresceu na vida por seus próprios méritos, não gosto desses discursos da classe operária, e assim, o currículo deste pessoal já vai para a gráfica, para ser reciclado e retornar para o escritório como papel de rascunho.

Ainda avaliando o currículo nós analisamos todo e qualquer erro de português, inclusive vírgulas mal posicionadas e se houver qualquer erro, o candidato está eliminado do certame, mas neste caso, faço questão de enviar um e-mail para o ignóbil, explicando que ele foi recusado por ser burro e não saber usar com eficácia a gramática.

Passada esta pequena porém rigorosa análise, marcamos entrevistas com os candidatos remanescentes e logo na chegada deles ao escritório, uma verificação preliminar é realizada, nos homens: brincos, barba por fazer, cabelo comprido, nas mulheres: roupas vulgares, maquiagem forte = todos eliminados.

Ao iniciar a entrevista eu convido o candidato para a minha sala e pelo aperto de mão já elimino mais alguns: mãos molhadas ou "mão mole", são eliminados antes mesmo de sentar em minha confortável cadeira. Mãos suadas demonstram nervosismo e eu não quero advogado ou estagiário que trema perante um juiz e mãos moles ao cumprimentar demonstram fraqueza.

Após aprovado nestes quesitos eu converso com o candidato por no máximo três minutos, uma conversa rápida, pois sou muito bom em análises pessoais, observo apenas a eloquência e dicção, se estiver certo, encaminho para a última fase: o exame médico, neste momento o meu médico de confiança sob o pretexto de fazer um exame físico observa se o candidato possui alguma tatuagem, se tiver, está eliminado, caso não possua, está contratado.

Semana que vem tem mais, e lembrem-se do que eu sempre digo: Só tem vida difícil quem não se esforça.


quinta-feira, março 03, 2016

DOUTOR COXINHA, O ADVOGADO CONSERVADOR - ODEIO ESTAGIÁRIO LEITE COM PÊRA!

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Olá nobres e ilustres doutores do maravilhoso mundo das leis, pelos comentários que li acerca do meu texto da semana passada, percebi que alguns leitores se ofenderam um pouco com os meus métodos de adestramento de estagiários.

Aos que se ofenderam, vou deixar uma expressão bem popular entre os jovens iletrados: "solamento"!

Atualmente esses estagiários e por obvio, estudantes de direito têm se mostrado verdadeiros bebês chorões (obs: minha vontade era usar uma expressão diversa, mas preferi essa para não desagradar aquele pessoal do arco íris) pois eles se doem por qualquer coisa, já teve estagiário aqui do meu escritório que chorou quando o juiz indeferiu um pedido de carga. 

É claro que eu demiti o chorão, mas não sem antes fazer uma montagem com a foto dele, usando vestes de bebês da década de 30 e distribuir no e-mail corporativo para todos os meus colaboradores, descobri depois que ele não gostou da brincadeira e me processou pedindo danos morais, mas como sou um ótimo advogado e muito rico, fiz questão de reiterar na petição tudo o que eu tinha dito para ele e ainda juntei novas montagens com a cara dele.

Todos do escritório riram da minha ousadia, até o juiz do caso riu, mas mesmo assim me condenou em um valor inexpressivo, que paguei de uma única vez, mas em notas de 2 reais, porque eu sou desses.



Comigo, estagiário chorão, e perdoem a expressão, bunda mole não se estabelecem, não quero gente frouxa aqui, eu procuro estagiário que questiona, quero um cara que bata de frente com um juiz e tenha coragem de dizer que ele errou, sei que é difícil achar o estagiário com duas qualidades: inteligência e coragem, mas enfim, é isso que eu busco.

Essa geração de hoje é muito chorona, ou mimizenta como os jovens de hoje dizem, eu sou do tempo de jogar bola descalço na rua e arrancar a ponta do dedão com um chute, eu sou do tempo que remédio pra machucado ardia, mas agora essa molecada de hoje quando tem um pedido indeferido chora, faz bico, reclama no facebook e bota a culpa no juiz ou no poder judiciário.

Mas tá errado, a culpa não é do judiciário, a culpa é dos seus pais, que criou um filho mimadinho e que não sabe ouvir um não!

Juvenis, cresçam, pois é o que eu sempre digo: Só tem vida difícil quem não se esforça.


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